segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Conversando Francamente sobre Masturbação

Recentemente fui abordado por um jovem amigo que me fez muitas perguntas sobre sexualidade, mais precisamente sobre a prática da masturbação, e resolvi pôr aqui as perguntas que foram feitas por ele e as respostas que me vieram, vou logicamente acrescentar algum comentário enquanto preparo esta matéria e espero que estes comentários sejam de grande ajuda para jovens, adultos quer casados ou não e para pais que precisam ensinar seus filhos a perspectiva cristã. Vou usar um nome fictício para meu amigo cristão enquanto redigo esta conversa.

Bernardo: Pastor, todo mundo tem problemas com a masturbação?

Eu: Meu amigo, a experiência com a masturbação é incontestavelmente uma experiências quase universal. Uma pesquisa feita por James McCary revela que cerca de 95% dos homens e entre 50% e 90% das mulheres se masturbam. Já foi dito que não há nenhuma outra forma de atividade sexual que tenha sido mais frequentemente discutida, mas unanimente condenada e mais universalmente praticada do que a masturbação. Quase todos os adolescentes se masturbam e muitos adultos o fazem de tempos em tempos.

Bernardo: Eu ouvi dizer que a masturbação provoca doenças.

Eu: Bem, vamos de vagar, fisicamente a masturbação não trás prejuízo algum. A opinião dos médicos é unânime. Quando eu era adolescente sempre ouvia estas coisas e ficávamos com muito medo, diziam que o vício levava a loucura. Mas isso é mito.


Bernardo: Mas o senhor acha que a masturbação é uma atividade moralmente aceita para um cristão? Será que poderia ser uma “dádiva de Deus” para nos ajudar a evitar a promiscuidade sexual?

Eu: Não há lugar algum da Bíblia que trate diretamente da masturbação, não há palavras de condenação, como há contra a homossexualidade, por exemplo. Veja bem, o silêncio bíblico não significa que a masturbação não seja uma questão moral, mas acredito que indiretamente a Bíblia nos dá uma ajuda.

Bernardo: Então podemos praticar sem problema?

Eu: São três as dificuldades Bernardo que precisamos examinar. A primeira é a conexão com as fantasias sexuais, a masturbação não ocorre em um vácuo sem imagens e muitos afirmam que Cristo condenou a prática por ser impureza do coração. A segunda preocupação é que a masturbação pode se tornar obsessiva, um vício, o hábito de masturbar-se pode tornar-se compulsão incontrolável. Outra preocupação é que a masturbação é um ato voluntário. Averdadeira sexualidade conduz a um profundo relacionamento pessoal com alguém.

Bernardo: Mas você esta insinuando que pode?

Eu: Bem, a primeira coisa é que a masturbação não é inerentemente errada ou pecaminosa. De forma geral, é uma experiência comum para a maioria das pessoas, e deve ser aceita como parte normal da vida. A masturbação tem valor como escape genital potencialmente quando a relação sexual não for possível. Como não há um ensino bíblico claro então não devemos pôr fardos morais sobre os ombros das pessoas.

Bernardo: Mas então pode?

Eu: Precisamos ter alguns cuidados Bernardo pois o nosso coração pode transformar qualquer coisa em ídolo e terminamos nos curvando diante do ídolo da falsa sexualidade. A masturbação que é fruto de pornografia e outras formas de sexualidade de sexualidade que são desaprovadas por Deus devem ser tratadas como pecado. E João nos diz: “filhinhos não pequeis”, eu diria a você Bernardo, meu filho, não pequeis, entrincheire-se contra o pecado, diga não ao pecado! “Mas se todavia pecar, temos um advogado”.

A prática descontrolada da masturbação prejudica nossa relação com Deus e nossa auto-estima. A masturbação obsessiva é espiritualmente perigosa. Mas precisamos estar conscientes de que a obsessão por livrar-se dela é também muito perigosa. Essa obsessão é especialmente dolorosa porque um fracasso pode derrubar uma pessoa desesperada. É melhor buscarmos o equilíbrio, e o controle.

Bernardo: E as imagens eróticas que surgem não sei de onde?

Eu: A verdadeira questão é o que fazemos com estas imagens pois é certo que elas vão surgir. Precisamos disciplina-las, lembre-se do que eu disse, precisamos lutarmos, precisamos dizer não. Alguém disse que não podemos impedir que uma pássaro voe sobre nossas cabeças, mas podemos impedir que façam de nossa cabeça um ninho.

Bernardo: Puxa nunca tive uma explicação assim, tem mais alguma coisa que você poderia me dizer pra me ajudar?

Eu: Bernardo, queria te dizer que o casamento é o lugar apropriado para a sexualidade plena, nada pode substituir e dar mais prazer, nem a masturbação, nem o sexo antes do casamento pode satisfazer plenamente a pessoa. O orgasmo é apenas uma pequena parte de uma realidade muito mais ampla. A masturbação sempre ficará aquém, pois busca perpetuar o mito do amante auto-suficiente.