
“...mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade” (Pv 16.32)
Um grande número de evangélicos brasileiros estão sonhando em conquistar suas cidades para Jesus Cristo e quando li este texto não pude deixar de pensar neles e comecei a perguntar porque controlar o mundo interior vale mais do que conquistar este espaço geográfico e social para o Senhor Jesus?
Um grande número de evangélicos brasileiros estão sonhando em conquistar suas cidades para Jesus Cristo e quando li este texto não pude deixar de pensar neles e comecei a perguntar porque controlar o mundo interior vale mais do que conquistar este espaço geográfico e social para o Senhor Jesus?
Não posso deixar de concluir que o mundo interior é muito mais complexo que as complexidades de uma grande cidade.
Multiplicidade de desejos, carências, enfermidades psicológicas, patologias emocionais, hábitos pecaminosos, pensamentos enganosos, mitos introjetados desde a infância, fraquezas as mais diversas, bloqueios internalizados e uma infinidade de vias pecaminosas que vão mapeando toda a alma enfeando todo a existência.
Nenhuma cidade, por mais problemática que seja, se compara a complexidade que habita um ser humano e que precisa ser administrada.
Conquistar a cidade é infinitamente mais fácil que gestar o espírito.
A motivação de conquistar uma cidade pode até mesmo ser fruto de pessoas que não conseguem conquistar a si mesmas e por serem facilmente auto-enganadas - por suas motivações interiores, por seus psiquismos ideológicos, pelas falácias doutrinárias que foram abrigadas no íntimo e que corroboram para o auto-engano - procuram conquitar algo fora delas mesmas para provar ao mundo que conquistaram a si mesmas. É complicado assim mesmo.
E a cidade que está sendo conquistada, pelo menos na retina coberta pela catarata ideológica, aumenta ainda mais o auto-engano pois confere ao meu espírito a falsa sensação do equilíbrio interior e o meu psicodelismo é reafirmado e eu então profetizo ainda mais, pra mim mesmo, que a cidade é do Senhor Jesus.
Estou ciente que Deus não vai me perguntar se eu conquistei minha cidade para o Senhor Jesus. Ele vai me perguntar se a minha cidadela interior foi conquistada pelo Senhor Jesus, se o auto-controle, fruto do Espírito de Cristo, foi diariamente pacificando e equilibrando e tornando saudável o meu mundo interior. Controlar um espírito materialista é mais difícil diante de uma vitrine, controlar um desejo adultero latente é mais difícil, controlar um vício, uma pulsão, uma tara, controlar a palavra, controlar a profecia fruto de minha imaginação, controlar-me diante da internet no meu escritório é infinitamente mais difícil do que controlar a cidade pois ela se torna um povoado, uma oca, diante do kosmos interior onde gravitacionam todas estas forças, essas vontades.
Conquistar uma cidade depende de uma espiritualidade que guerreia, controlar o espírito se faz sem alarde, com paz interior, no silêncio da alma que toma seu próprio pulso, que se auto-examina e averigua as motivações do coração.
Quem quer conquistar uma cidade tende a olhar mais pra fora e não para dentro de si mesmo e ter auto-consciência. Não percebe a trave no próprio olho mais encherga o cisco social.
Quem quer conquistar uma cidade terá que investir seu tempo e esforços nas seguintes estratégias mencionadas pelo pastor Ed René Kivitz:
1. Liderança Personalista. Ocorre uma idolatria sutil que abre espaço para que outra pessoa além de Cristo se torne o alvo da devoção.
2. Ministração a massa sem rosto. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento numérico como estratégia para atingir um número maior ainda, a população da cidade. Parece que os líderes se satisfazem ao dizer que “gente do Brasil inteiro nos escreve”.
3. Busca da presença na mídia. Mostra a cara diferente do tipo “nós não somos iguais aos outros, venha para a nossa igreja”. Há uma necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição pode ser vista.
4. Projetos ministeriais impessoais. Medem o êxito pela conquista do que o dinheiro pode comprar.
5. Apelos financeiros exagerados. As pessoas aos poucos deixam de ser rebanhos e passam a ser malas-diretas, mantenedores, parceiros do empreendimento.
6. Rede de relacionamentos funcionais. As relações deixam de ser afetivas e passam a ser funcionais. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro.
7. Forte presença de conteúdos simbólicos. A institucionalização é adensada por símbolos, hinos, uniformes, escudos, bandeiras, slogans, logotipos, campanhas, enfim, componentes de amarração psíquica e mentalidade uniforme segundo a qual o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga a identidade.
8. Ausência de liberdade às expressões individuais. Todos brincam de “tudo o que o mestre mandar faremos todos, se não fizer levaremos bolos”, e inconscientemente acabam se vestindo da mesma maneira, usando o vocabulário, gestos e linguagem não verbais. Todos se tornam sodadinhos uniformizados.
9. Falta de preocupação com o discipulado. Ministérios institucionalizados não se preocupam em transformar vidas de dentro pra fora, querem mesmo é conquistar o mundo e organizar uma sede internacional.
10. Proclamação utilitarista. Tais ministérios se alimentam de desespero e conveniências. A volúpia expansionista do pregador, mesclado com a ganância e a necessidade do fiel, constitui-se a mistura exata para a elaboração e a divulgação de uma mensagem adocicada e irreal.
Quem, contudo, almeja controlar o espírito terá de ir em outra direção e investir seu tempo numa estratégia mais profunda, terá de se debruçar na janela da alma e conhecer-se visitando os cômodos interiores com a lamparina da Palavra em mãos.
Uma vida de oração para buscar a presença de Deus, sem tentar conquistar nada, depender totalmente de Deus, entregar-se, ser despretensioso. Fazer desse momento um auto-exame, uma vigilância, uma introspecção, uma vigilância: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação”.
Orar e meditar com espírito bereano, orar sem correntes, sem campanhas que são instrumentos de barganha e de manipulação. Orar com espírito voluntário e não com o espírito compulsório. Orar consciente da graça e não do mérito, sem querer nada mais a não ser maior graça. Orar confessando, vigiando, ficar em silência e descobrir que Deus não está na tempestade, nem no vento que despedaça a penha, mas no cicio, na quietude.
“Senhor não se elevou meu coração...não me exercito em grandes assuntos nem em coisas maravilhosas demais para mim. De certo eu fiz calar e sossegar a minha alma, qual criança desmamada pra com sua mãe tal é minha alma pra contigo”
Esse salmo não é muito apreciado por quem quer conquistar uma cidade.
1. Liderança Personalista. Ocorre uma idolatria sutil que abre espaço para que outra pessoa além de Cristo se torne o alvo da devoção.
2. Ministração a massa sem rosto. Ministérios institucionalizados estão voltados para o crescimento numérico como estratégia para atingir um número maior ainda, a população da cidade. Parece que os líderes se satisfazem ao dizer que “gente do Brasil inteiro nos escreve”.
3. Busca da presença na mídia. Mostra a cara diferente do tipo “nós não somos iguais aos outros, venha para a nossa igreja”. Há uma necessidade de encontrar uma vitrine onde a instituição pode ser vista.
4. Projetos ministeriais impessoais. Medem o êxito pela conquista do que o dinheiro pode comprar.
5. Apelos financeiros exagerados. As pessoas aos poucos deixam de ser rebanhos e passam a ser malas-diretas, mantenedores, parceiros do empreendimento.
6. Rede de relacionamentos funcionais. As relações deixam de ser afetivas e passam a ser funcionais. Já não existe mais o José, apenas o tesoureiro.
7. Forte presença de conteúdos simbólicos. A institucionalização é adensada por símbolos, hinos, uniformes, escudos, bandeiras, slogans, logotipos, campanhas, enfim, componentes de amarração psíquica e mentalidade uniforme segundo a qual o grupo se sobrepõe ao indivíduo e a instituição esmaga a identidade.
8. Ausência de liberdade às expressões individuais. Todos brincam de “tudo o que o mestre mandar faremos todos, se não fizer levaremos bolos”, e inconscientemente acabam se vestindo da mesma maneira, usando o vocabulário, gestos e linguagem não verbais. Todos se tornam sodadinhos uniformizados.
9. Falta de preocupação com o discipulado. Ministérios institucionalizados não se preocupam em transformar vidas de dentro pra fora, querem mesmo é conquistar o mundo e organizar uma sede internacional.
10. Proclamação utilitarista. Tais ministérios se alimentam de desespero e conveniências. A volúpia expansionista do pregador, mesclado com a ganância e a necessidade do fiel, constitui-se a mistura exata para a elaboração e a divulgação de uma mensagem adocicada e irreal.
Quem, contudo, almeja controlar o espírito terá de ir em outra direção e investir seu tempo numa estratégia mais profunda, terá de se debruçar na janela da alma e conhecer-se visitando os cômodos interiores com a lamparina da Palavra em mãos.
Uma vida de oração para buscar a presença de Deus, sem tentar conquistar nada, depender totalmente de Deus, entregar-se, ser despretensioso. Fazer desse momento um auto-exame, uma vigilância, uma introspecção, uma vigilância: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação”.
Orar e meditar com espírito bereano, orar sem correntes, sem campanhas que são instrumentos de barganha e de manipulação. Orar com espírito voluntário e não com o espírito compulsório. Orar consciente da graça e não do mérito, sem querer nada mais a não ser maior graça. Orar confessando, vigiando, ficar em silência e descobrir que Deus não está na tempestade, nem no vento que despedaça a penha, mas no cicio, na quietude.
“Senhor não se elevou meu coração...não me exercito em grandes assuntos nem em coisas maravilhosas demais para mim. De certo eu fiz calar e sossegar a minha alma, qual criança desmamada pra com sua mãe tal é minha alma pra contigo”
Esse salmo não é muito apreciado por quem quer conquistar uma cidade.
A pergunta de Sérgio Pimenta continua atual:
"O que se esconde atrás do teu olhar, neste lugar onde o meu olhar não pode penetrar?
O que se esconde atrás do teu sorrir, neste lugar onde o mentir não vai se revelar?
Quando olha bem no íntimo através do teu sorriso o que será que Deus vê?
Bem além da tua lógica, bem atrás de tua estética o que será que Deus vê?
Uma alma já cansada de representar."
Que desperdício, passar a vida toda tentando conquistar a cidade, enganando-se a si mesmo, cantando uma vitória vazia e profetizando uma ficção.
