terça-feira, 25 de dezembro de 2007

O SUPREMO SER

Vai parecer um pouco estranho começar uma meditação bíblica sem olharmos para as Escrituras, mas por razões pedagógicas tenham um pouquinho de paciência. Vamos imaginar alguém que fosse o maioral sobre todos os seres que existem e outros que já existiram e sobre aqueles que ainda hão de existir, alguém que se destacasse sobre todos os demais como ser, como pessoa, alguém que fizesse dos demais seres apenas coadjuvantes da história universal.
Bem, lógico, esta pessoa teria características que nenhum outro ser pudesse ter, traços que não poderiam ser comparados com os demais seres quer humanos quer celestiais. E quais seriam os balizamentos que poderíamos adotar para afirmar contundentemente que este ser é o Supremo Ser.
Primeiro, teríamos de pensar na população do reino celestial. Este ser supremo tem que se sobressair dentre anjos, arcanjos e toda a milícia celestial porque se houver um ser celestial que seja comparado ao nosso personagem ele deixa de ser supremo na sua existência.
Segundo, um outro parâmetro seria o reino humano, dentre o mundo dos homens em todos os períodos da história este nosso Personagem “imaginário” seria O HUMANO, de maneira que o homem mais sublime que já pisou o planeta seria um anão se comparado a Ele.
Um terceiro critério que poderíamos fazer uso seria o critério do status. ALGUÉM tão grande, que é o maioral no reino humano teria que se assentar no trono da humanidade e governar o planeta, algo que até agora nenhum líder político na história geral conseguiu fazer. Alguém que governe todos os grandes países, nações e todos os pequenos povos e pequenas culturas da terra.
Um quarto e último critério, teríamos de imaginar que este SER teria uma existência sui generis, alguém que não pode ser comparado com nenhum outro ser em duração de vida, alguém cuja a existência seria eterna para superar todos os demais, até mesmo os seres angelicais que não morrem como os seres humanos.
Isto posto, precisamos amarrar as quatro pontas da nossa conjectura, ou seja, qualquer um dos quatro critérios mencionados se não tiverem o seu aplicativo neste SER em questão torna-o um ser abaixo do SUPREMO SER.
Por exemplo, se nosso protagonista “imaginário” for maior do que os seres celestiais e humanos e estiver assentado no trono do universo mas se sua exitência for limitada pelo tempo, por maior que seja este tempo, este ser não é aquele SER SUPREMO que estamos procurando.
Pois então, façamos o teste dos quatro critérios no menino Jesus e vejamos se Ele é o SER SUPREMO que procuramos para adorá-lo
Disse o anjo Gabriel em Lucas 1.32,33: “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo e Ele se assentará no trono de Davi, seu pai, e reinará sobre a casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”
O anjo Gabriel anuncia a Maria que o menino Jesus seria grande: “Este será grande”.
O CRITÉRIO DA DIVINDADE
O anjo apresenta Cristo como “filho do Altíssimo”,
Não há um ser maior do que Deus, logo Cristo é Deus, e está acima de todos os seres celestiais.
Ele é chamado “Filho do Altíssimo” porque não há outro ser maior que Ele.
O profeta Isaías 40.18,25 diz: “A quem pois fareis semelhante a Deus? Com que imagem o comparareis?...A quem me fareis semelhante, para que lhe seja semelhante?
Em Isaías 46.5 lemos: “A quem me fareis semelhante, e com quem me igualareis? A quem me comparareis para que sejamos semelhantes?”
Os seres angelicais com maior envergadura são anões se comparados ao Altíssimo.
O Salmo 89.6 pergunta: “Quem no céu se pode igualar ao Senhor? Quem é semelhante”
Isaías 66.1 diz que o Kosmos é o seu trono e a Terra o estrado dos seus pés.
“Assim diz o Senhor, o céu é o meu trono e a terra o estrado dos meus pés.”
O Universo com todos os seus bilhões de galáxiais não passa de um lugar onde Deus se assenta para governar.
A grandeza de Saul foi medida pelo ombro, pois em Israel não havia homem que sobressaísse sobre Saul do ombro pra cima. A grandeza de Deus é imaginada pelos seus pés, a parte mais baixa do corpo, lógico apenas uma figura de linguagem para que tenhamos um pequeno lance da sua grandeza.
A grandeza de Deus é medida pelo pé!
O CRITÉRIO DA HUMANIDADE
Neste item Jesus é filho de Davi segundo o texto. Ele está assentado no trono da humanidade. Ele não é apenas um humano, mas um humano perfeito, ou perfeitamente humano.
Ele é glorioso na sua humanidade pois o apóstolo João nos diz: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós e vimos a sua glória...”
Até então Davi era o protótipo do ser humano mais completo, o que de melhor tínhamos em termos de humanidade.
Mas quando Jesus nasceu, tomou o lugar no trono da humanidade.
Em Atos 13.22,23 diz: “Achei a Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que lhe fará toda a minha vontade. Da descendência deste, conforme a promessa, trouxe Deus a Israel o Salvador, que é Jesus”
De maneira que nem Davi com toda a sua humanidade sublime pôde ser comparado a humanidade de Jesus. Jesus passa então pelo segundo critério.
O CRITÉRIO DO STATUS
Se este for grande, deve ocupar alguma posição política de destaque.
Ele deve ser um governante mundial!
Diz o texto que Ele “reinará na casa de Jacó”.
O texto não diz “sobre a casa de Jacó” mas “na casa de Jacó” que é Israel.
Israel será o país-sede do seu governo mundial. Este aspecto da sua grandeza é para nós escatológico.
Isaías profetizou: “O Governo está sobre os seus ombros;...para que se aumente o seu governo e venha paz sem fim” (9.6,7)
O profeta Miquéias diz: “O Senhor reinará sobre eles no monte Sião” (4.7)
Isaías 24.23 nos diz: “Quando o Senhor dos Exército reinar no monte Sião e em Jerusalém, perante os seus anciãos haverá glória
Falando de Israel Isaías diz: “Sobre ti aparecerá resplandecente o Senhor, e a sua glória se vê sobre ti,...as nações se encaminharão para a tua luz, e os reis para o resplendor que te nasceu” (60.2,3)
Em Miquéias 4.1,2 diz: “...Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Senhor, e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião procederá a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém”
Jeremias escreve: “Naquele tempo chamarão Jerusalém do trono do Senhor nela se reunirão todas as nações em nome do Senhor, e já não andarão segundo a dureza do seu coração maligno” (Jr 3.17)
Baseado nestes textos podemos verificar que Cristo reinará brevemente tendo Israel com país-sede do seu Governo e Jerusalém como capital-sede. Apartir de Jerusalém Ele governará o mundo no período milenial.
Cristo então escatologicamente passa no terceiro critério.
O CRITÉRIO DA EXISTÊNCIA
Se Ele de fato é grande deve superar todos os demais seres em termo de existência.
“...e o seu reino não terá fim”
A grandeza de Oscar Niemeyer não está apenas nas suas obras arquitetônicas, mas o mundo celebrou também a sua longevidade quando ele completou cem anos de existência. Ora se o mundo honra um homem que durou 100 anos e se aplicou apenas a uma área da existência humana, quão maior será a honra daquele que reinará eternamente sobre a política, a moral, a ética, a economia bem como assim todas as demais áreas da existência humana.
O anjo Gabriel estava certo ao afirmar que Ele seria grande, o maioral de todos, O SER SUPREMO estava ali deitado num coxo forrado de capim, envolto em panos, rostinho infante, gengiva a amostra, olhinhos redondos, quem iria imaginar que O SER SUPREMO sorria inocentemente nos braços ternos de Maria?

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