
"Tenho trinta anos e sou a primogênita de quatro irmãos. Somos todos apaixonados pela minha mãe, que procura ser amiga, companheira e conselheira. Já pelo meu pai eu não consigo ter admiração ou respeito. Não me sinto nada bem com isso. Até os cinco anos, eu idolatrava meu pai. Mas, de repente, ele se tornou áspero e violento. Hoje, com 63 anos, ele continua assim. Não o agrido nem bato de frente como meus irmãos. Trato com educação. Sei que não posso amá-lo como amo minha mãe, porém gostaria de não ter um sentimento de mágoa, repulsa e raiva em relação ao homem que figura na minha certidão de nascimento como pai."
Creio que seu pai sempre foi uma pessoa difícil, você só descobriu que ele assim era quando estava com cinco anos pois a partir daí você tinha olhos para fazer esta avaliação, daí pra frente a imagem dele mudou em seu coração.
Creio que seu pai sempre foi uma pessoa difícil, você só descobriu que ele assim era quando estava com cinco anos pois a partir daí você tinha olhos para fazer esta avaliação, daí pra frente a imagem dele mudou em seu coração.
É possível que o problema de seu pai se tornou crônico com o passar dos anos pois ele percebeu que sua mãe era uma pessoa dócil e uma excelente mãe que atraía facilmente o coração dos filhos para si, de maneira que ele se sentiu cada vez mais uma pessoa distante do calor emocional que quase sempre era direcionado a sua mãe e como ele não conseguia se tornar um campo gravitacional de afetividade ele passou a ser ainda mais violento e agressivo e com certeza todas as vezes em que seus irmãos batem de frente sem muita sabedoria isso agrava ainda mais o vácuo afetivo que ele sente no coração.
Com certeza seu pai trouxe alguma coisa, alguma bagagem negativa de seu próprio lar, e você precisaria entrar um pouco no mundo dele para aumentar o seu campo de conhecimento e de compaixão. Seu pai nunca amadureceu emocionalmente, possivelmente foi emocionalmente travado em algum momento de sua infância ou juventude e ele com isso adoeceu, talvez até por conta do lar onde nasceu. Sei que é muito difícil conviver com uma pessoa com esta natureza raivosa e infantil, uma pessoa que não cresceu emocionalmente. Mas seria bom fazer uma incursão na história dele, isso aplacaria muito a sua mágoa e a de seus irmãos. Mas isso não é tudo.
Seu pai precisa ser tratado não apenas com educação é preciso ser tratado também com compreensão da parte de todos vocês. Ele consegue fazer esta leitura e percebe que é tratado com educação e não com afeto, com compaixão, com amor. Sua educação não esconde dele a sua magoa, sua repulsa, o que só agrava, pois você age como uma atriz relacional, achando que se representar bem conseguirá esconder dele seus sentimentos.
Pra mim a sua postura é tão ruim quanto a de seus irmãos, eles tem até certa vantagem sobre você, eles são transparentes, o problema é que eles partem para a violência verbal e não conseguem se conter e se comunicar de maneira madura. Sua educação é inócua e não ajuda em nada, é pura formalidade vazia.
Pra mim a sua postura é tão ruim quanto a de seus irmãos, eles tem até certa vantagem sobre você, eles são transparentes, o problema é que eles partem para a violência verbal e não conseguem se conter e se comunicar de maneira madura. Sua educação é inócua e não ajuda em nada, é pura formalidade vazia.
Não é impossível mudar o nosso passado, mas é possível mudar os efeitos do passado no presente – é preciso que haja perdão.
Perdão é uma reação positiva para com a ofensa, ao invés de uma reação negativa para com o ofensor. Você precisa aprender a diferenciar a ofensa do ofensor. O ofensor é uma pessoa que precisa de ajuda e não um problema. Ofensas são oportunidades para ou perdoar ou ficar magoado. A ofensa deve ser vista como uma oportunidade para crescer na vida cristã. O perdão vê o ofensor como instrumento de Deus na nossa vida (Atos 16.16-18).
O perdão reconhece que seu pai já está recebendo as conseqüências de sua ofensa independentemente do que você e seus irmãos possam fazer ou falar, e que agindo errado para com ele somente agravará sua situação.
O perdão não é uma emoção; é uma decisão. Ele é uma ato de sua vontade, não de suas emoções.
E lembre-se, o perdão é unilateral, não depende da reação de teu pai. Só depende de você. Se você retiver o perdão será você mesma que sofrerá as conseqüências pois a amargura é uma doença de nossas próprias almas e somos nós que murchamos em conseqüência de sua devastação. Precisamos tomar o remédio do perdão unilateral para sermos curados
No momento em que você começa a odiar seu pai e não a perdoá-lo você se torna escravo dele. As correntes do passado estão presas em seus pés e você não consegue avançar para o futuro. O perdão traz-me de volta para viver inteiramente no presente. Fico liberto das feridas do passado. Não que as ofensas do passado tivessem mudado, mas deixo de ser controlado por elas e embora eu não tenha garantias de ficar isento de ofensas no futuro (Lc 17.1) o perdão me deixa livre no presente para também perdoar no futuro.
Finalmente creio que você conseguirá amar seu pai novamente, não mais com aquele amor que inundou a gênese da sua vida, mas agora com um amor maduro, fruto do perdão. Digo que seu amor será do tamanho do amor por sua mãe. Sua mãe será amada pela ternura e pelas lembranças e seu pai será amado através do perdão e da maturidade emocional que este perdão te capacita a ter.
Daí a sua educação com seu pai não brotará não de um coração comedido e reticente, mas de um coração amoroso e compreensivo que é na verdade o seu maior anseio.
Um beijo no coração.
Um beijo no coração.
Stênio de Araújo Verde
Obs. Caso você esteja enfrentado algum problema em sua vida e precisa de ajuda pastoral então escreva para stenioverde@ig.com.br. Sua carta será respondida no Blog sem que seu nome seja mencionado.
Obs. Caso você esteja enfrentado algum problema em sua vida e precisa de ajuda pastoral então escreva para stenioverde@ig.com.br. Sua carta será respondida no Blog sem que seu nome seja mencionado.

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