sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O Solteiro e a Sua Sexualidade - Parte III

Disse ontem que a sexualidade humana tem muitos aspectos, dos quais a relação sexual é apenas um. Se o solteiro nutrir e cultivar os muitos aspectos dessa sexualidade, as necessidades genitais se enquadrarão na perspectiva adequada. Muitos relacionamentos intimos e afetuosos podem ser cultivados sem a presença de relações sexuais.

Por exemplo, o toque é uma expressão legítima da nossa sexualidade, sobretudo no namoro, o solteiro deveria acolher com alegria o abraço caloroso, o beijo romântico e não é bom nos afastarmos dele. Aprender a tocar o outro de maneira correta, comedida, respeitando os limites já conhecidos são expressões legítimas e muito satisfatórias.

Outro aspecto de nossa sexualidade é a apreciação da beleza e da atração física, é perfeitamente possível admirar a beleza de um rosto ou de um corpo sem lascívia. Podemos aprender a apreciar os olhos, os cabelos, o sorrizo, os braços sem malícia e luxúria. Apreciar a beleza não precisa ser um mal. Jesus condenou o olhar com intensão impura mas não o olhar que aprecia a beleza. O problema é que a mídia tenta ligar toda pessoa atraente e todo movimento sexual a sexualidade erótica. Como filhos da luz precisamos aprender a desfrutar da beleza sem luxúria e da sensualidade sem carnalidade.

Gostaria de mencionar algo sobre a pornografia, creio que este assunto é importante ser mencionado agora visto que estamos aprendendo a controlar a maneira como olhamos para as coisas. A pornografia é uma distorção da sexualidade. Um aspecto do negócio pornográfico é o mundo de fantasia que ele cria. A textura do filme, os corpos perfeitos, os recursos gráficos e tudo o mais criam este campo de atração do olhar e geram em nós uma distorção terrível da nossa sexualidade.

Quem poderia competir com os corpos malhados e com a performace sexual mentirosa, criada em estúdio? É um mundo de mentiras, um mundo atraente, artificial. O sexo do comércio pornográfico é extremamente "habil" e "extasiante" e quando as pessoas vivem neste universo pornográfico, passam a acreditar nele e achar que aquele é o modelo a ser perseguido.

Este faz-de-contas criado pela pornografia é destrutivo e deixamos de desfrutar da sexualidade sadia e real. A pornografia hardcore é ainda mais prejudicial pois cria um mundo de violência onde o estrupo, o sexo grupal, o sadismo, o sadomasoquismo, terminam sendo desejados no íntimo.

O sexo da vida real é uma mistura de vontade e cansaço, extase e desapontamento onde o amor supera as imperfeições e respeita o limite do outro na relação, muito diferente do apresentado nas imagens pornográficas.

Termino dizendo que a pornografia emperra a maturidade sexual de uma pessoa a tal ponto que ela começa ver a vida pelo óculos da pornografica, o cara não pode olhar para uma mulher e logo suas inteções impuras aparecem e os devaneios logo tomam a sua mente e seu coração e logo tranformam sua realidade numa vivência virtual.

A pornografia escraviza a mente que fica refém da sensualidade doentia.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

O Solteiro e a Sua Sexualidade - Parte II

Como disse na nossa conversa ontem, a Bíblia condena o sexo genital antes do casamento. Cantares de Salomão celebra o sexo como uma aventura voluptosa, porque então deveria o jovem esperar o pacto do matrimônio?

A proibição bíblica não é uma negação sem explicação, não é dizer não e acabou, ela tem razões fortíssimas. A relação sexual é um ato que une vidas, assina e sela uma relação, uma união com implicações espirituais: "E serão os dois uma só carne" e ainda "Vocês não sabem que aquele que se une a uma prostituta é uma corpo com ela? Aos olhos de Deus a relação sexual antes do casamento é pecado e ponto final.

A relação sexual é tão cheia de significado eterno que deveria ser reservada sempre para a perenidade do casamento. Desta forma, cristãos solteiros desejarão abaster-se do sexo genital enquanto desenvolvem plenamente os muitos aspectos de sua sexualidade. Assim ele aprenderá a dizer não a promiscuidade sexual antes do casamentos e ao adultério depois dele.

A sexualidade humana tem muitos aspectos, dos quais a relação sexual genital é apenas um. De fato o que chamamos de "necessidade sexual" é na verdade "desejo sexual". O corpo precisa de alimentação, ar e água e sem eles a vida humana não pode sobreviver por muito tempo. Mas até hoje ninguem morreu por falta de relação sexual, muitas pessoas já viveram plena e satisfatóriamente sem o sexo genital - INCLUSIVE JESUS!

Assim, a relação sexual é um desejo humano, não uma necessidade humana. Assim o solteiro pode e deve esperar o momento certo, não vai morrer

Todos os cristãos - quer homens ou mulheres, quer solteiros, casados, divorciados, viúvos ou casados de novo - são chamados a fidelidade em seus relacionamentos sexuais.

Amanhã vamos falar da expressão da sexualidade antes do casamento e ensinar como o jovem pode expressá-la em diversas áreas.

Até mais!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

O Solteiro e a Sexualidade - Parte 1

Estou atualmente de férias, mas a vontade de escrever me leva a separar um tempo todo dia para expressar através do Blog algo que possa ajudar alguém e se caso isto não aconteçer, creio que as matérias podem pelo menos nos fazer refletir e rever a nossa crença. Bem tem algo a dizer aqueles que são solteiros, e vou começar hoje escrevendo retalhos de pensamentos e conselhos. Gostaria muito de escrever numa só sentada, mas vocês sabem como é curtir as férias.

Os solteiros são a grande maioria hoje e em nossas igrejas eles estão aumentando em número. Um dos grandes desafios a igreja é integrar a sexualidade e a espiritualidade dentro do contexto da vida de solteiro. Precisamos deixar de considerar as pessoas solteiras como destituídas de sexualidade. Recentemente num retiro dos jovens eu fiz questão de abordar este assunto para romper com as barreiras e os mitos que cercam este assunto.

Se alguem me perguntasse se eu aceito o sexo antes do casamento minha resposta seria sim e não pois o cristianismo diz um "sim" bem claro a esta questão caso ela se refira a nossa sexualidade como seres humanos. A Bíblia diz um "não" bem claro se ela se refere ao sexo genital.

Somos pessoas sexuais e jamais deveríamos tentar negar ou rejeitar esse fato, somos criados a imagem de Deus, homem e mulher. Tudo o que somos e tudo o que fazemos tem impressões sexuais, o indivíduo solteiro portanto não seria uma pessoa assexuada.
A sexualidade da pessoa solteira se manifesta de outras formas, por exemplo, pela capacidade de amar e ser amado pois o amor não precisa ser genital para ser íntimo e a capacidade de amar é vital à nossa sexualidade. Assim as pessoas solteiras devem desenvolver muitos relacionamentos que sejam salutares e devotados, mas não genitais.
A decisão de reservar o sexo genital para o casamento não impede o solteiro de ser emocionalmente satisfeito. Amizades afetuosas e satisfatórias são formas legítimas pelas quais o solteiro pode expressar sua sexualidade. Entenda definitivamente que sexualidade não é necessariamente o sexo genital, inconscientemente é isso que muitos pensam de maneira errada.

Hoje eu sei que quando namorei a minha esposa a sexualidade estava nas expressões, nas falas, no jeito de ser, nos olhares, no pegar na mão e nos bilhetes e cartas de amor.
A sexualidade dos solteiros se expressa quando eles aprendem a aceitar e a controlar seus sentimentos sexuais. O namoro é uma escola maravilhosa para aprender a controlar estes impulsos a fim de que eles não se tornem em compulsões e os frutos dessa maturação sexual são colhidos dentro do casameto. Quem no namoro não consegue controlar seus impulsos sexuais provavelmente terá muita dificulade em fazê-lo depois de casado, daí a traição, o adultério e outras manifestações da sexualidade insana. Amanhã eu continuo, vou dar um mergulho.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Conversando Francamente sobre Masturbação

Recentemente fui abordado por um jovem amigo que me fez muitas perguntas sobre sexualidade, mais precisamente sobre a prática da masturbação, e resolvi pôr aqui as perguntas que foram feitas por ele e as respostas que me vieram, vou logicamente acrescentar algum comentário enquanto preparo esta matéria e espero que estes comentários sejam de grande ajuda para jovens, adultos quer casados ou não e para pais que precisam ensinar seus filhos a perspectiva cristã. Vou usar um nome fictício para meu amigo cristão enquanto redigo esta conversa.

Bernardo: Pastor, todo mundo tem problemas com a masturbação?

Eu: Meu amigo, a experiência com a masturbação é incontestavelmente uma experiências quase universal. Uma pesquisa feita por James McCary revela que cerca de 95% dos homens e entre 50% e 90% das mulheres se masturbam. Já foi dito que não há nenhuma outra forma de atividade sexual que tenha sido mais frequentemente discutida, mas unanimente condenada e mais universalmente praticada do que a masturbação. Quase todos os adolescentes se masturbam e muitos adultos o fazem de tempos em tempos.

Bernardo: Eu ouvi dizer que a masturbação provoca doenças.

Eu: Bem, vamos de vagar, fisicamente a masturbação não trás prejuízo algum. A opinião dos médicos é unânime. Quando eu era adolescente sempre ouvia estas coisas e ficávamos com muito medo, diziam que o vício levava a loucura. Mas isso é mito.


Bernardo: Mas o senhor acha que a masturbação é uma atividade moralmente aceita para um cristão? Será que poderia ser uma “dádiva de Deus” para nos ajudar a evitar a promiscuidade sexual?

Eu: Não há lugar algum da Bíblia que trate diretamente da masturbação, não há palavras de condenação, como há contra a homossexualidade, por exemplo. Veja bem, o silêncio bíblico não significa que a masturbação não seja uma questão moral, mas acredito que indiretamente a Bíblia nos dá uma ajuda.

Bernardo: Então podemos praticar sem problema?

Eu: São três as dificuldades Bernardo que precisamos examinar. A primeira é a conexão com as fantasias sexuais, a masturbação não ocorre em um vácuo sem imagens e muitos afirmam que Cristo condenou a prática por ser impureza do coração. A segunda preocupação é que a masturbação pode se tornar obsessiva, um vício, o hábito de masturbar-se pode tornar-se compulsão incontrolável. Outra preocupação é que a masturbação é um ato voluntário. Averdadeira sexualidade conduz a um profundo relacionamento pessoal com alguém.

Bernardo: Mas você esta insinuando que pode?

Eu: Bem, a primeira coisa é que a masturbação não é inerentemente errada ou pecaminosa. De forma geral, é uma experiência comum para a maioria das pessoas, e deve ser aceita como parte normal da vida. A masturbação tem valor como escape genital potencialmente quando a relação sexual não for possível. Como não há um ensino bíblico claro então não devemos pôr fardos morais sobre os ombros das pessoas.

Bernardo: Mas então pode?

Eu: Precisamos ter alguns cuidados Bernardo pois o nosso coração pode transformar qualquer coisa em ídolo e terminamos nos curvando diante do ídolo da falsa sexualidade. A masturbação que é fruto de pornografia e outras formas de sexualidade de sexualidade que são desaprovadas por Deus devem ser tratadas como pecado. E João nos diz: “filhinhos não pequeis”, eu diria a você Bernardo, meu filho, não pequeis, entrincheire-se contra o pecado, diga não ao pecado! “Mas se todavia pecar, temos um advogado”.

A prática descontrolada da masturbação prejudica nossa relação com Deus e nossa auto-estima. A masturbação obsessiva é espiritualmente perigosa. Mas precisamos estar conscientes de que a obsessão por livrar-se dela é também muito perigosa. Essa obsessão é especialmente dolorosa porque um fracasso pode derrubar uma pessoa desesperada. É melhor buscarmos o equilíbrio, e o controle.

Bernardo: E as imagens eróticas que surgem não sei de onde?

Eu: A verdadeira questão é o que fazemos com estas imagens pois é certo que elas vão surgir. Precisamos disciplina-las, lembre-se do que eu disse, precisamos lutarmos, precisamos dizer não. Alguém disse que não podemos impedir que uma pássaro voe sobre nossas cabeças, mas podemos impedir que façam de nossa cabeça um ninho.

Bernardo: Puxa nunca tive uma explicação assim, tem mais alguma coisa que você poderia me dizer pra me ajudar?

Eu: Bernardo, queria te dizer que o casamento é o lugar apropriado para a sexualidade plena, nada pode substituir e dar mais prazer, nem a masturbação, nem o sexo antes do casamento pode satisfazer plenamente a pessoa. O orgasmo é apenas uma pequena parte de uma realidade muito mais ampla. A masturbação sempre ficará aquém, pois busca perpetuar o mito do amante auto-suficiente.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A Igreja que Para Nada Mais Presta


Fui missionário entre os índios Yanomami no norte do Brasil, eu e mais três índios fizemos uma viagem a pé através da mata amazônica que durou 6 dias. A viagem era prevista para ter a duração de 3 dias mas a chuva não deu trégua e foi preciso sair da rota para não enfrentar a fúria dos rios mais largos. No segundo dia de viagem minha provisão de farofa de carne e granola havia terminado e no quarto dia morto de fome os índio mataram um macaco. Naquela noite eu caí semimorto na rede que levara enquanto os índios faziam churrasco de macaco. Xuna, o único índio crente da equipe, me acordou e me deu o ante-braço do macaco, quando dei a primeira mordida senti um gosto horrível na boca, faltava sal, pedi sal na língua Yanomami e confesso que o churrasco de macaco estava delicioso.
O sal é imprescindível a boa mesa.
“Vós sois o sal da terra.”
Nossa sociedade está caída, poluída e passando pelo processo de putrefação. Nada que a terra produza pode dar sabor à vida. Somente o saleiro de Deus, a igreja pode salgar.
Carl Marx pensou que salgaria a terra com suas idéias comunistas. “A ditadura do proletariado, imaginado por Marx não deu luz um mundo sadio”, diz o Papa Bento XVI, “deixou atrás de si uma destruição assoladora”
Existem estes micróbios da maldade, esses germens infecciosos, esses bacilos no próprio corpo da humanidade que estão fazendo apodrecer a Terra.
Jesus, contudo, deixou bem claro que Igreja pode deixar de ser Sal da Terra no seu processo histórico e se tornar sal insípido.
Continua com o nome de Sal da Terra, mas perdeu o poder de salgar a Terra. O Nome no Saleiro não importa, também não importa se o saleiro é bonito é grade ou pequeno.
Eu diria que qualquer pessoa, igreja ou denominação pode começar sendo sal da terra e no processo se tornar sal insípido.
Mais cedo ou mais tarde será lançado fora dos propósitos de Deus e terminará sendo pisada pelos homens.
Vocês já observaram como a mídia pisa a universal do Reino de Deus? Pois o sincretismo, o materialismo, a idolatria disfarçada e outras mazelas tornaram a Universal uma igreja pisada pelos homens
Já observaram que o mundo não pisa o mormonismo, o espiritismo, o rosacrucismo e as Testemunhas de Jeová.
Mas a religião cristã que se tornou insípida esta é pisada pelos homens.
Observem como a mídia pisou o ex-governador Garotinho e o bispo Luiz Flavio Cappio que fez jejum contra a transposição do São Francisco.
Os padres pedófilos foram pisados mundialmente pelos homens!
Esse é o cristianismo que para nada mais presta!
O Cristianismo que perde sua química entra num caminho sem volta. Não há como devolver ao sal a sua salinidade depois de perdido.
“Como lhe restaurar o sabor, para nada mais presta senão ser lançado fora...”
Para mim todo o movimento neo-pentecostal terminará em estrada, vai virar asfalto, pois seu misticismo, seu sincretismo religioso, sua hierarquia apostólica e outras mazelas, vem roubado a salinidade do caráter cristão.
Qual a química da igreja sal da Terra?
A Química da Igreja Sal da Terra são as Bem-aventuranças mencionadas por Jesus no início do sermão.
Há um problema mais profundo do que o doutrinário nas igrejas e denominações insípidas, é um problema de caráter cristão.
Em última análise, de onde surge a falsa doutrina?
O nascedouro de uma falsa doutrina é o caráter cristão.
A igreja que continuará sendo Sal da Terra terá que ser Bem-aventurada na humildade, no quebrantamento, na mansidão e assim por diante.
A Igreja Insípida, que para nada mais presta, é arrogante, prepotente julga ser a solução da história, a única igreja verdadeira, a igreja avivada, a igreja verdadeiramente pentecostal.
A arrogância tem gerado igrejas que não prestam. O grade desafio a igreja que ainda não perdeu a sua salinidade é ser humilde de espírito.
Está faltando humildade a igreja evangélica.
A igreja insípida é a igreja do riso ao invés do choro, a igreja que não percebe as suas próprias mazelas, que se vê rica, que tem tudo:
“Como dizes: rico sou, estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”
É a igreja da prosperidade, a igreja de bem com a vida.
A igreja insípida é guerreira na sua ação evangelistica, está num campo de batalha e não num campo missionário, quer conquistar a cidade na força do profetismo. Ela não entende as palavras de Cristo:
“Bem-aventurados os mansos porque herdarão a terra”
Os mansos não vão precisar conquistar a terra, eles à herdarão, conquistando-a com o caráter manso e humilde de Cristo.
A Igreja Imprestável tem fome e sede por fama, por mídia, por popularidade, por grana, por números, perdeu a fome e sede por justiça e por isso não serão fartos!!!
Deixo alguns desafios para a igreja em 2008.
A igreja que deseja continuar sendo sal da terra terá de conhecer profundamente as bem-aventuranças.
Sobretudo, terá de fazer da humildade o seu grande distintivo. Abaixar a bola, tirar o salto-alto, vestir-se do pano de saco da humildade no íntimo e não na praça, não na esquina para ser visto pelos homens, não precisa raspar a cabeça, mas raspar da cabeça a cobiça, a altivez e a mania de grandeza.
A soberba precede a ruína e a altivez de espírito a queda. Pv 16.18
“Tambem da soberba guarda o teu servo que ela não me domine, então serei irrepreensível e ficarei livre de grande transgressão” Sl 19.13
“Deus resiste aos soberbos, contudo aos humildes concede a sua graça.”
I Pedro 5.5
Quem quer continuar sendo sal da terra terá de viver de acordo com as bem-aventuranças, fará delas um estilo de vida, um modo de viver.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Ainda Sobre a Pena de Morte


Sei Que este assunto é bastante delicado e muito polêmico para ser tratado em qualquer ocasião sobretudo entre o natal e o ano novo, mas é devido a seriedade deste assunto e a uma matéria publicada na Veja esta semana que me faz retomar o tem. Tenho expressado aqui no Blog a minha opinião; sou a favor da pena de morte. Tenho recebido e-mails e comentários de pessoas que são contra sob as seguintes argumentações:
· Que a pena de morte não diminui a criminalidade, sobretudo o homicídio.
· Que agora estamos no período da graça e, portanto a lei não se aplica mais.
· Que aquele que está no corredor da morte pode ser inocente.
Bem, vou ficar somente com estas contra argumentações, elas resumem as demais. O problema é que elas não me convenceram ainda.
No meu último artigo sobre o tema em momento nenhum fiz menção a respeito das estatísticas ou resultados da adoção da pena de morte ou não sobre a sociedade. Disse apenas que era um ato justo, ou seja, está baseado na justiça criminal apresentada pela Bíblia e isto independe de resultados.
A pena de morte repara judicialmente o erro cometido pelo transgressor e para mim esta argumentação é a principal e ela independe dos resultados positivos ou negativos sobre a sociedade. Logicamente para que o homicídio seja punido com a pena de morte as provas teriam que ser inquestionáveis para não cometermos injustiça.
Não podemos mudar este e outros princípios de justiça social somente porque os governos humanos hoje são outros, somente porque naquele tempo o governo de Israel era Teocrático, a justiça deve caber em todas as formas de governo, deve servir a todos os estilos de governança, sejam reinos ou repúblicas. A justiça é mais alta que a política e, portanto toda política que não faz justiça paga um preço social enorme.
Pena de morte a meu ver é questão de justiça. Ponto final.
Agora, a justiça quando feita trás benefícios ingentes a sociedade e impede o mal avance. Então poderemos medir também a justiça pelos efeitos sociais que ela confere. Se a prática da justiça otimiza o mal social ou, se seu efeito é neutro então precisamos averiguar a legitimidade de tal lei, é provável que, nestes casos, a injustiça esta travestida em lei.
Caso a justiça, em forma de lei, traga benefícios sociais práticos, avaliados estatisticamente, isto se torna indicio de que esta lei é boa e que a justiça de fato está sendo feita.
A revista New York Times publicou recentemente uma reportagem afirmando que para cada criminoso condenado à morte, ocorrem de três a dezoito assassinatos a menos. E esta estatística é resultado de uma série de estudos realizados na última década.
Eles descobriram que, nos lugares em que a pena de morte foi aplicada com mais freqüência e com mais rapidez, como no Texas, a taxa de homicídios caiu de maneira acentuada.
Há sim uma correlação direta entre a pena de morte e o número de assassinatos. Cada execução acaba salvando cinco pessoas, pelas contas do economista H. Naci Mocan.
No Brasil este ano foram 44.663 assassinatos. Esta na hora de repensarmos a nossa justiça social. Se a lei da pena de morte faz justiça e diminui a criminalidade como seria má?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Terremotos no Brasil?


Foi o tempo em que o Brasil era território neutro, livre dos abalos císmicos, no dia 9 deste mês um terremoto destruiu o povoado de Caraíbas no município mineiro de Itacarambi, a 662 quilômetros de Belo Horizonte. A queda de uma parede matou uma menina de cinco anos de idade, foi a primeira morte por terremoto no Brasil.


O terremoto em Caraíbas teve magnitude de 4,9 pontos na escala Richter e a energia liberada foi equivalente à explosão de duas bombas atômicas com a que destrui Hiroshima.


O aumento do número e da intensidade dos terremotos nos últimos anos deveria servir para sacudir também o íntimo dos seres humanos, para que se libertassem, ainda em tempo, de sua inércia espiritual.
Não passa um mês sem que tomemos conhecimento de algum terremoto significativo, de grandes proporções. E isso porque os tremores menores, que também causam extensos danos e muita apreensão, não são sequer noticiados.
Estima-se que ocorram a cada ano cerca de 500 mil tremores em todo o globo, havendo quem fale até de 1 milhão de sismos, dos quais 100 mil são percebidos pelas pessoas com seus próprios sentidos, e pelo menos mil causam danos. A Terra está tremendo sem parar, o que nada de bom significa para os seres humanos. Um retrato disso pode ser visto na figura abaixo, montada pelos pesquisadores russos Denis Mischin e Alex Chulkov, que mostra os terremotos com magnitude superior a 4 graus na Escala Richter que sacudiram o planeta de janeiro de 1989 a setembro de 1997 (a cor indica a profundidade do epicentro).
Em todo o século 19 ocorreram 41 grandes terremotos, acarretando pouco mais de 350 mil mortes. No século 20 até maio de 1997, já haviam ocorrido 96 grandes terremotos, que provocaram a morte de mais de 2 milhões e 150 mil pessoas (1).
Observa-se que com exceção da década de 50, todas as outras décadas do século 20 tiveram maior número de grandes terremotos quando comparadas às atividades sísmicas no planeta de cem anos atrás. Mesmo fazendo-se uso de outros critérios ou fontes, o aumento do número de terremotos em todo o mundo é um fato inquestionável. Uma pesquisadora americana, Sarah Davies, formulou as seguintes perguntas a um grupo de especialistas da área, através da internet: “Está havendo um aumento na incidência de terremotos em todo o mundo neste século? Caso existam registros antigos, esse aumento tem-se verificado ao longo dos últimos 200 anos?”
Quem respondeu à questão de Sarah foi o vulcanologista Steve Mattox, da Universidade de Dakota do Norte. Ele disse que seria melhor fazer uma análise da incidência apenas dos maiores terremotos já ocorridos, a fim de reduzir a dependência de observadores e do instrumental de medição. Segundo ele, na primeira metade do século 20 houve 15 terremotos desse tipo (de intensidade extrema), e na segunda metade haviam ocorrido até então 20 desses terremotos. Já em todo o século 19 registraram-se apenas 7 terremotos extremos (2). O Dr. Steve conclui: “Baseando-se nessa rápida análise de uma única fonte de informação, parece que a freqüência de terremotos está aumentando. A grande questão é o porquê disso” (grifo meu).
Além da freqüência aumentada, verifica-se também um crescimento da intensidade dos terremotos, alguns deles tornando-se até momentaneamente famosos em razão da destruição e do número de mortes, como os da Guatemala (1 milhão de desabrigados), da China (750 mil mortos) em 1976, do México em 1985 e do Japão em 1995. Infelizmente, também essas grandes catástrofes acabam sendo esquecidas após um maior ou menor tempo, transformando-se em meras curiosidades históricas.
Em 31 de maio de 1970, por exemplo, houve uma catástrofe no Peru sem paralelo na história humana até o presente (abril de 1998), com a possível exceção talvez da destruição da cidade de Pompéia, no ano 79 d.C., soterrada pela erupção do Vesúvio. Naquele dia, um sismo violentíssimo numa região costeira do país – que, segundo estimativas, teria atingido 9 graus na escala Richter (ou próximo disso) – aliado à ação de um fenômeno pouco conhecido na época, o Efeito Estufa, fez desabar o pico norte do nevado de Huascarán, na Cordilheira dos Andes, situado a 14,5 quilômetros de um importante centro econômico: a cidade de Yungay. Em menos de três minutos Yungay foi soterrada por uma massa de gelo e entulho deslocando-se à velocidade de 330 km/h. Estima-se que pelo menos 30 mil pessoas morreram, soterradas por uma camada de 27 milhões de metros cúbicos de entulho, com espessura variando de quatro a dez metros. A repercussão desse extraordinário acontecimento foi, porém, muito pequena; primeiro porque aconteceu num país do Terceiro Mundo, mas principalmente porque naquele dia estava sendo aberta a Copa do Mundo de Futebol…
Vamos ver agora como se dá o aumento da incidência de terremotos em algumas partes do mundo. Nos primeiros 40 anos do século 20 (de 1900 a 1939), ocorreram 974 terremotos na região. Nos 40 anos seguintes (de 1940 a 1979), ocorreram 3.572 terremotos, quase 4 vezes mais que no primeiro período. Nas décadas de 60 e 70 houve 2.758 terremotos, quase mil a mais que nos 60 anos anteriores (1.788 terremotos).
Esses números são apenas uma amostragem do que vem ocorrendo no mundo todo e demonstram de maneira inequívoca que a humanidade, agora, não tem mais “o solo firme sob os pés”.

Pastelão Católico


A greve de fome do bispo Flávio Cappio contra a transposição do Rio São Francismo é um ato impensado, uma estratégia que não deu certo nem para o Garotinho nem para Flávio Cappio. Tanto o evangélico Garotinho quanto para o católico fraciscano foram duramente castigados com comentários da emprensa brasileira. No caso do bispo Flávio de Cappio o jornalista André Petry chamou a atitude de "maiúscula palhaçada".

A CNBB, entidade que reune a nata do clero católico, não se deu conta que depois de Garotinho esta estratégia não cola mais e conclamou os católicos de boa vontade a repetir o gesto do bispo em solidariedade a ele. Os jornalistas observaram que nenhum bispo da CNBB fez greve de fome. Deixaram o bispo pagar o pato sozinho.

O pastelão católico e o evangélico na verdade foi inspirado em Gandi, que fez greve de fome com fins pacificos e por uma causa realmente justa.

Será que o bispo por ser franciscano, seguidor de São Francisco, entendeu que o rio São Francisco pertence ao catolicismo pelo direito do nome?!? Seria o cúmulo da idiotice.